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sábado, 1 de novembro de 2014

Pra não me afogar...

Quando escrever faz parte de você, não importa quanto tempo passe, você vai acabar cedendo ao vício. É mais forte do que você. E de certa forma ajuda a extrair toda aquela tensão concentrada de emoções e ideias confusas que se batem dentro da sua cabeça.
Pode parecer um retrocesso ter que voltar a escrever pra se sentir bem, mas não é só por isso. Eu me peguei relendo todos aqueles textos antigos e percebi que minhas ideias do mundo não estavam assim tão erradas. Claro que na prática, a vida te surpreende e transforma tudo em diferente, mas na teoria eu tinha uma certa razão pelo que conseguia observar. 
Essa semana me perguntaram qual o lugar mais rico do mundo. Financeiramente minha primeira resposta foi Dubai. Vocês já viram o lugar!? Era um deserto... (pra quem não viu: Google) Depois de uns minutos e várias respostas, a pessoa disse que o lugar mais rico do mundo é um cemitério. Os depósitos mais ricos do mundo podem ser encontrados lá: "Dentro das paredes daqueles túmulos sagrados estão sonhos que nunca se realizaram, canções que nunca foram escritas, pinturas que nunca encheram uma tela, idéias que nunca foram compartilhadas, visões que nunca se tornaram realidade, invenções que nunca foram criadas, planos que nunca passaram da "prancheta" mental e propósitos que nunca foram realizados. Nossos cemitérios estão cheios de um potencial que permaneceu inerte."
Aquela questão de estar vivo sem estar vivendo, sabe? 
Parece simples e fácil, mas abdicar das nossas zonas de conforto para caminhar em território desconhecido é assustador e beira o impossível. Para isso também há resposta... O magnífico Walt Disney disse: "Eu adoro o impossível, pois lá a concorrência é menor." 
É a triste verdade que ninguém gosta de encarar. Buscamos desculpas para evitar compromissos, e por mais que nossas emoções não passem de reações químicas em nosso corpo que nos fazem prometer certas coisas, nós nunca estamos falando realmente sério. Talvez seja até irritante essa minha incredibilidade nos sentimentos e na emoção, mas honestamente, quanto mais caminho nessas terras, mais perdido eu fico. A curiosidade me prende ao novo. 
Por que arriscar tanto quando é mais fácil me fechar em meu mundo? 
Bom, temos a opção de virar um eremita e morar em qualquer caverna, só com os pensamentos e sem uma página de blog para desabafar, mas nunca estaríamos completos. O amor em si não deveria nem ser avaliado como um estado do sentir. Ele não pode ser definido, e cria dores de cabeças horríveis. Tira o sono mais profundo que o cansaço de um dia cheio cultivou. 
É claro que nem todos precisam concordar comigo. O amor tem um nome e um endereço diferente para cada um. Já ouvi que amor é separar um lugar na mesa para alguém que nunca vai voltar ou escrever cartas para alguém que não chegou ainda.
A questão de amor não é entendê-lo, e sim senti-lo. É a questão do sacrifício também, pois quanto mais você se doa, mais você se envolve e recebe. Ilógico não?
A questão é que não podemos levar todo esse potencial de descobrir e criar para um cemitério. Mesmo que esteja cada vez mais difícil se envolver em sentimentos com qualquer pessoa, precisamos nos apegar a isso, pois mesmo não sendo certo, é o que vai nos manter lúcidos. 
Sei que não tenho mais o tempo que tinha antes para escrever, mas a necessidade está ai novamente, então vamos ver muito dessas baboseiras aqui por algum tempo. O bom de ter um blog é que ele nunca vai se cansar da minha baboseira e, mesmo que eu demore 10 meses para voltar a usar, ele não vai ficar chateado com isso... Mesmo que seja importante mergulhar nos sentimentos, uma parte inerte, como uma boia em alto mar, deve estar sempre com a gente e blá, blá, blá...