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sábado, 16 de novembro de 2013

Aonde encontro neve?

Percebi que todo o ano, em novembro, eu começo com as contagens regressivas. Sempre fiz isso. Para o último dia de aula, e para o natal, para o aniversário e ano novo. Nunca tinha entendido o propósito disso até agora. 
Terminei uma série de livros. Bom, pelo menos todos os que já foram publicados da série. Daquelas séries que realmente mexem com suas emoções e com seu jeito de encarar as emoções e comportamento dos outros. Ai você não sabe mais em qual mundo pertence. Grande parte de ti quer pertencer ao mundo do livro. Pode ser mais difícil e talvez até muito fantasioso, mas nenhum problema do livro assusta mais do que a realidade. 
Realidade é aquele bichinho que você tenta inventar do seu jeito, mas quando encosta a cabeça no travesseiro percebe que não é nada disso. Ela tem vontade própria e se você não engolir ela com todo aquele gosto de losna enfarpada, você sucumbe. E ai existem os livros pra te dar aquela fuga básica dessa atmosfera assustadora cheia de realidade. 
Pode ser um problema ficar muito tempo longe dela, mas ao mesmo tempo, ficar muito preso a ela vai lhe deixar nada menos que cético para tudo que possa valer a pena. 
Não que toda a realidade seja difícil ou ruim de engolir, mas é em sua maioria. Vencer aquele medo da dor de verdade e das lágrimas de verdade, vencer o medo de acreditar e cair. Pra lidar com a realidade é preciso um pouco de "faz de conta".
Depois que você passa tanto tempo com a realidade, você pensa de mais. E não para de pensar. PERIGO!
"overthinking", torna toda a realidade em uma distorção ruim dos fatos, que você pode controlar e são menores do que parecem. Ter vivido esses últimos dias no mundo da série e estar corroendo de tristeza por ter que me abster dele por um bom tempo até o último livro ser publicado, me fez perceber que errar ou acertar, não é questão de vida ou morte (a menos que você seja um médico). Me refiro aqueles pequenos erros, em que nossa mania de pensar de mais cria um pedestal. 
Tire seus problemas do pedestal. Há um ano eu estava aqui contando 40 dias para o fim do ano (faltam 45 agora) e reclamando de como meu 2012 foi uma caquinha. Eu poderia ter o mesmo olhar para 2013. Ai eu dei um passo atrás, virei de ponta cabeça, virei 2013 do avesso, não estava procurando algo específico, além de uma opinião diferente do que todas aquelas que colocam em nossas cabeças.
Então encontrei aquele sentimento de alegria tão intensa que eu chamei de "nevando". Nevando pois naquela noite que nevou eu ri tão livre. Eu senti que podia voar. Eu vi que não se dá nome para a felicidade outra vez. Você não pode dizer que vai ser feliz, se e somente se isso ou aquilo acontecer. Há coisas que nos chateiam, mas ao mesmo tempo há maneiras de enfrentá-las como oportunidades ao invés de pontos finais. 
Você pode encontrar seu estado de neve quando menos espera. Quando mais precisa. Quando você deixou de acreditar que receberia uma mensagem de alegria, e de repente (BUM!) toda sua perspectiva muda.
Você entende que as melhores alegrias são aquelas que se aproximam em silêncio e te pegam de surpresa. Particularmente eu odeio surpresas, uma vez que não sei como reagir sem nenhum planejamento. Mas ai o tico e o teco decidiram funcionar. (PLIN!)
Quando me senti nevando, eu não esperava por neve. Não contava que isso fosse possível, mas não coloquei a neve como algo que em sua ausência me fornecesse sofrimento. Eu senti isso lendo meus livros com finais imprevisíveis. Sei que não é sempre que haverá neve. Mas sei que posso esperar pelo inesperado e ver acontecer, aquele sorriso bobo e a liberdade de uma criança outra vez.
Contagens regressivas é só mais uma das minhas manias que vou manter, não por esperar algo especial no fim, mas por ser aquele tipinho que mantém manias sem sentido, como deixar sempre a última bolacha do pacote, guardar o frasco de perfume vazio, escrever textos quando minha mente está atribulada por uma overdose de leitura e blá, blá, blá...